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sábado, 17 de julho de 2010

CRUZANDO OS BRAÇOS

A mais forte arma atômica,
Ou arma inventada pelo homem.
Não descreve o que sinto.

Toda dor, ódio ou raiva,
Causada pela guerra.
Não descreve o que sinto.

Toda fome, miséria e putrefação,
Causada pela nossa inconseqüência.
Não descreve o que sinto.

Nem o aborto provocado,
Por profundo coma alcoólico.
Não, não descreve o que sinto.

A decomposição lenta, de uma
Criança viva, causada pelo homem.
Não descreve o que sinto.

O estupro moral, denegrido na
Constituição, causado pelos AI'S.
Não descreve o que sinto.

Sou um cidadão comum, apenas,
Como você, sem sensibilidade.
Matando e morrendo, pela falta
Da mais pura dignidade.

O olhar piedoso, vacilante,
Do inocente na cadeira elétrica.
Não descreve o que sinto.

A morte de uma mãe,
Por falta de atendimento.
Não descreve o que sinto.

A falta de compaixão, do
Político corrupto ao País Miserável.
Não, não descreve o que sinto.

Pois se sou como você,
E nada posso ver.
Como, como vou entender?

Pois se minha ambição,
Corrompe a minha razão.
O que então posso fazer?

O que então posso fazer...
O que então posso fazer!
Simplesmente, morro em vão.
                          
João Gabriel Castanhari     05/05/2003

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