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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

MORREU DE AMOR


Na fétida ferida, ele mexe, tenta retirar os vermes que ali estão se juntando por causa da putrefação adquira.
Só, numa cama, todo urinado, defecado, acredita numa esperança.
Ele tem a ilusão de que seu filho virá de longe e o salvará.
Acredita que logo, quando chegar, limpará suas feridas, lhe dará um belo banho e curará todos os machucados com antibiótico.
Um filho que foi amado, criado com todo afinco e atenção proveniente.
Lhe foi dado, o seu melhor, para que pudesse ser o melhor.
Hoje, o pobre homem espera a visita de seu filho doutor, faz duas semanas que o espera, mas seu estado delirante não faz ter noção do tempo que se passou.
Seu filho disse que virá, e que irá cuida-lo como foi cuidado quando pequeno.
(Mas está muito ocupado salvando vidas)
Vidas que merecem sua dedicação, pois seu honorário é caro.
Enquanto isso, o pobre pai, que possui sentimentos, aguarda na ilusão mórbida um simples contentamento, um simples gesto de valorização.
Ele apenas quer parar de sofrer, de lutar pela vida fática, já desistiu...
Aos poucos, o pobre homem fétido e podre, recupera seu estado de lucidez.
Ele entende: Está só, numa cama, num quarto, numa casa, num quarteirão, num bairro, numa cidade, num estado, num país.
Está só...
Sozinho com suas lembranças, com sua ilusão de ter um apoio, um orgulho, alguém para se dedicar a ele;
Compreende o descaso de um filho amado, criado com devoção sem igual.
Sua alma dói nesse momento, todo o seu corpo enche-se de calafrios...
Suas feridas fétidas, podres e impregnada de vermes, já não doem mais.
Nenhuma de suas dores é maior do que a dor existente em seu coração.
Um coração forte, vívido, que de tanta dor se torna fraco;
Fraqueja, fraqueja, fraqueja...
Seus batimentos diminuem, seu coração pára.
E assim, seu estado fétido e deplorável, se torna belo, pois o estrago maior está dentro de si.
E assim, o pobre homem só, desfalece, falece para sempre da ilusão do mundo.
Ele morre por saber, que a pessoa mais importante que existiu para si mesmo, não se importa com a mesma maestria e dedicação.
Simplesmente morre de desgosto, por amar eloquentemente alguém, e descobrir que amor não existe, nesse coração amado.

Morre, de amor...


O sim é bem vindo, o não compreendido, o talvez ignorado.
Mas a ilusão mata, machuca, destrói um coração.
Entenda...

João Gabriel Castanhari     28/10/2011

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